Produtores culturais e artistas protestam contra resultado da Lei Paulo Gustavo em Parnamirim

Produtores culturais e artistas de Parnamirim, cidade da Região Metropolitana de Natal, fizeram um protesto na manhã desta segunda-feira (11) em frente à Secretaria de Cultura do município. O grupo aponta possíveis irregularidades nos resultados dos editais da Lei Paulo Gustavo.

Segundo os manifestantes, as empresas contempladas pelos editais apresentam problemas como: não ter histórico de produções audiovisuais ou artísticas, ou até não tem residência no município.

“O resultado deste edital, que já é capenga, que nasce estranho, é que aparece magicamente produtores audiovisuais que ninguém conhece. Mas que tem foto com a vice-prefeita, o que levou a maior pontuação. A gente não encontrou uma ação audiovisual dessa pessoa incrível que está levando o maior prêmio”, lamentou a diretora, atriz e roteirista Márcia Lohss.

A secretária de cultura do município, que também é vice-prefeita de Parnamirim, Kátia Pires, disse que o processo foi transparente e responsável e que, caso seja identificada alguma irregularidade, a empresa será desclassificada do edital (veja mais abaixo).

Os editais têm o investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão. O resultado foi divulgado na sexta-feira passada e contempla a produção de curtas e longa-metragem, documentários, cinema itinerante, produção em celular, produção de podcast em série, cursos de formação e outras vertentes da área.

O grupo disse, inclusive, que solicitou à Secretaria de Cultura de Parnamirim os portfólios das empresas vencedoras dos editais, mas que não teve retorno.

“Eu entrei em contatom através do telefone da Secretaria de Cultura solicitando todos esses portfólios, pra que a gente pudesse de fato entender quem são essas pessoas que estão contempladas. Eu já trabalho aqui no cinema há 30 anos em Parnamirim e até agora não conheço essas pessoas”, disse o cineasta e diretor Daniel Rizzi.

O grupo foi recebido pela secretária de Cultura, que também é vice-prefeita de Parnamirim, Kátia Pires, para uma reunião após o protesto. Ela esteve acompanhada de uma equipe da Procuradoria do Município e pelo grupo contratado para assessorar na seleção do edital.

“A Lei Paulo Gustavo segue à risca a lei federal que a criou. Foi aberto o período de recursos e aí é o momento da secretaria, juntamente com a empresa contratada para apoiar os pareceres, avaliar. E, se houver algum motivo para alguma divergência, alguma correção, esse é o momento de se fazer isso, antes do momento da publicação final”.

O perído para recursos se encerra nesta terça-feira (12). Segundo ela, caso a empresa esteja fora dos pré-requisitos que determina o edital, será desclassificada.

“Se, nesse momento do recurso, que é importante, pra essa reanálise, identificar que essa empresa não faz cultura, que não está apta para fazer cultura e não é do município, ela será desclassificada com certeza”, garantiu.

Sobre a alegação de que conhece alguns dos selecionados, ela reconheceu o fato e disse que é “natural” até pela função de secretária da cultura que ocupa.

“A maioria dos que estão classificados eu conheço, já participei de eventos juntos, é natural. Inclusive sendo secretária é natural que haja esse encontro. Quero deixar claro que nós primamos pela transparência, responsabilidade”, disse.

Fonte: g1 RN