Cinco pessoas da mesma família passaram mal no domingo (26), em Natal, após comerem um peixe do tipo bicuda no almoço.
Três delas precisaram ser hospitalizadas após apresentarem sintomas variados e duas permaneciam na UTI até esta terça-feira (28), mas com quadros estáveis.
A família informou que o caso foi registrado pelas autoridades sanitárias.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais.
Os sintomas variam de enjoos a neurológicos. Não há tratamento específico para a ciguatera.
Cinco pessoas da mesma família passaram mal no domingo (26), em Natal, após comerem um peixe do tipo bicuda no almoço. Três delas precisaram ser hospitalizadas após apresentarem sintomas variados e duas permaneciam na UTI até esta terça-feira (28), mas com quadros estáveis.
A família informou que o caso foi registrado pelas autoridades sanitárias.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que investiga dois possíveis surtos na capital potiguar “com sintomas sugestivos de intoxicação por ciguatera, após consumo de peixe bicuda, com quatro hospitalizações”.
A pasta não confirmou se uma das investigações é em relação ao caso da família.
👉 A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais. Os sintomas variam de enjoos a neurológicos. Não há tratamento específico para a ciguatera (entenda melhor mais abaixo).
A SMS orientou ainda que os consumidores adquiram pescados apenas em locais confiáveis e devidamente regularizados, evitando riscos à saúde.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), em 2026 o Rio Grande do Norte recebeu notificação de 115 casos – entre casos suspeitos e confirmados – de ciguatera. Em 2025, ao todo, foram 90 confirmados.
O estado é o único no pais a fazer a notificação compulsória em casos suspeitos de ciguatera.
“Esse fato contribui também para esse aumento de casos. A gente precisa entender que quanto mais informação é difundida, mais eu chamo a atenção para isso, e os profissionais de saúde ficam mais sensíveis também para possíveis intoxicações por ciguatera”, explicou a coordenadora de Vigilância em Saúde do RN, Diana Rêgo.
O fisioterapeuta Mário Saraiva contou que a família comprou o peixe do tipo bicuda na feira do Alecrim, na Zona Leste de Natal, para fazer o almoço do domingo. Cerca de três horas depois de consumirem os alimentos, começaram a passaram mal.
Os primeiros sintomas, contou, foram registrados no sobrinho-neto dele, de 3 anos.
Duas irmãs e a mãe dele, de 89 anos, precisaram ser hospitalizadas. Segundo Mário, os sintomas na irmã se agravaram de forma rápida.
“Levaram ela a um desmaio, queda de pressão, diarreia, vômito e esses sinais fizeram com que ela tivesse 4 por 2 de pressão e uma convulsão”, relatou. Após o susto, Mário falou que a situação da irmã foi establizada.
A outra parte do peixe comprado na feira foi recolhida e levada para ser examinada pelas autoridades sanitárias.
⬇️ VEJA REPORTAGEM ABAIXO: Preocupação com ciguatera impactou na venda de pescados no RN em março.
O outro caso registrado recentemente foi com um advogado que jantou com a esposa em um restaurante no dia 17 de abril. Os dois passaram mal durante a madrugada e também precisaram de atendimento médico.
“Na emergência teve soro na veia, teve prescrição de medicamento, o médico informou que iria notificar a intoxicação, o que poderia ser, e aí informou que era notificação obrigatória. Depois a gente teve contato também com a vigilância sanitária e informamos tudo o que aconteceu, o tipo de peixe, enfim, o local”, relatou o advogado Abaeté Mesquita.
O peixe consumido pelo casal foi o sirigado. O advogado contou que o primeiro sintoma do casal foi o empachamento, seguido de enjoo e diarreia. Eles também tiveram sintomas neurológicos.
“Passamos a madrugada inteira vomitando e com diarreia, e a fraqueza natural da desidratação. E depois começou essa parte de sintomas neurológicos, essa dormência nos lábios, nas extremidades, aquela sensação de formigamento e, ao lavar as mãos, ao tomar líquidos, a sensação de queimação no líquido que está na temperatura ambiente”, disse.
O primeiro surto no estado foi registrado em 2022, acometendo dez pessoas de um mesmo núcleo familiar, associado ao consumo do peixe popularmente conhecido como bicuda (barracuda).
🐟 Desde o primeiro caso, foram registrados episódios envolvendo diferentes espécies de peixes, segundo a Sesap, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado – incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras analisadas.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu.
Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros.
Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.
A Sesap reforça ainda que as ciguatoxinassão incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Segundo a Sesap, os principais sinais e sintomas da ciguatera aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por:
Os sintomas podem persistir por semanas ou meses. A Sesap informou ainda que não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera.
Segundo médico infectologista Antônio Araújo, o tratamento visa combater os sintomas, que costumam ser abrangentes.
“A diarreia, que é um quadro mais frequente nesses pacientes, a gente tem que hidratar. Nós não podemos fazer antidiarreico nem antinflamatório, porque senão você contém mais toxina nos pacientes. Nos pacientes neurológicos, eles podem ter uma neurite periférica e muita dor no corpo, aí você vai fazer um analgésico mais potente”, explicou.
“Os pacientes cardiovasculares tem que ir para o UTI, porque eles podem ter uma bradicardia ou pode ter uma extrassístole levando a um quadro mais grave. E o problema dermatológico, que é um prurido intenso que você pode apresentar por muito tempo, e esse prurido pode ser aliviado com anti-alérgicos comuns que nós temos no comércio farmacêutico”, falou.
As principais recomendações da Sesap à população são:
📞O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) também pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.
Fonte: g1 RN
