Força-tarefa recaptura mais um dos cinco fugitivos da Penitenciária de Alcaçuz

Jefferson Cleyton Lima da Silva foi recapturado em Japi, sendo o segundo fugitivo de Alcaçuz a ser localizado. Pedro Gabriel da Silva já havia sido encontrado em Natal.

A fuga ocorreu na madrugada de 2 de maio, mas só foi notada na contagem matinal. Os detentos danificaram a ventilação e usaram uma corda improvisada para escalar o muro principal da penitenciária.

O Sindicato de Policiais Penais do RN aponta que guaritas desativadas facilitaram a fuga.

A fuga surpreendeu o sistema prisional, pois Alcaçuz não registrava incidentes há quase cinco anos. A unidade foi palco de uma grande rebelião em 2017.

A força-tarefa da Polícia Penal e da Polícia Militar recapturou na manhã desta quinta-feira (21) mais um dos cinco presos que fugiram da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, no dia 2 de maio.

O preso recapturado foi Jefferson Cleyton Lima da Silva, de 25 anos. Ele estava escondido em um sítio no município de Japi, localizado a 139 km de Natal.

Esta é a segunda ação bem-sucedida nas últimas 12 horas dentro da operação montada para capturar os cinco fugitivos.

Na tarde de quarta (20), Pedro Gabriel da Silva, de 20 anos, foi recapturado. Ele foi encontrado no bairro Felipe Camarão, na Zona Oeste de Natal, onde estava escondido na casa de parentes.

Seguem foragidos os outros três fugitivos:

Participaram da operação que recapturou o preso nesta quarta policiais da Central de Monitoramento Eletrônico (CEME), do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque).

Imagens divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) registraram a movimentação dos cinco presos durante a fuga ocorrida na madrugada de sábado (2) na Penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Grande Natal.

Os detentos fugiram entre 0h e 1h de sábado, mas a fuga só foi descoberta pela manhã, durante a contagem dos apenados nas celas.

As imagens registradas em câmeras de monitoramento mostraram a movimentação dos cinco presos já do lado de fora do pavilhão 1 da penitenciária. Chovia forte na região no momento da fuga.

Segundo a Seap, eles danificaram a estrutura do sistema de ventilação para fugir da cela, atravessaram um muro interno e, em seguida, usaram uma corda improvisada com lençóis, conhecida como “teresa”, para pular o muro principal, de mais de 5 metros de altura, da penitenciária.

Uma semana antes, dois presos haviam tentado fugir pelo sistema de ventilação da cela no presídio Rogério Coutinho Madruga, que fica ao lado de Alcaçuz. Na ocasião, policiais penais de plantão e da Central de Rádio e Videomonitoramento impediram a fuga.

O secretário de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, Helton Edi Xavier, afirmou que a fuga de cinco presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, foi uma “surpresa” para o sistema prisional.

Segundo a Seap, a unidade não registrava fugas havia quase cinco anos. O presídio Rogério Madruga Coutinho, que fica ao lado, registrou uma fuga em 2024.

Dois memorandos – de 2 de abril e 20 de março – enviados pela direção da Penitenciária de Alcaçuz pediram à Seap a manutenção de câmeras de monitoramento dos pavilhões 1, onde ocorreu a fuga, e 4.

Segundo o secretário da Seap, Helton Edi Xavier, apesar do problema não há áreas sem cobertura na penitenciária.

“Temos centenas de câmeras. Algumas podem ficar fora do ar, mas não há áreas sem cobertura de imagem. Quando uma falha, há outros ângulos que permitem o monitoramento”, completou.

A presidente do Sindicato de Policiais Penais do RN, Vilma Batista, acredita que o fato das 10 guaritas de Alcaçuz estarem desativadas também pode ter contribuído para não detectar a fuga.

“Os policiais, pelo baixo efetivo que tinha no posto, não tinham condições de visualizações. Também facilitou para essa fuga foram essas guaritas desativadas”, disse.

A Penitenciária de Alcaçuz foi palco da maior rebelião da história do Rio Grande do Norte, em 2017. No total, 26 presos morreram. Quase todos foram decapitados. Outros 56 fugiram. O episódio ficou conhecido como “Massacre de Alcaçuz”.

Criada em 1998, a Penitenciária de Alcaçuz seria a solução para acabar com os problemas gerados pela Penitenciária Central Doutor João Chaves, conhecida por “Caldeirão do Diabo”, na Zona Norte de Natal.

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Fonte: g1 RN