Parque eólico é operado apenas por mulheres no RN; ‘Aqui me senti acolhida’, diz funcionária

Um parque eólico localizado no Sertão Central do Rio Grande do Norte é operado completamente por mulheres. O empreendimento fica no município de Lajes, distante cerca de 130 quilômetros de Natal, e leva o nome de Parque Cajuína.

A equipe de trabalhadoras possui diferentes formações, como nas áreas de eletrotécnica, mecânica e segurança do trabalho, por exemplo. Elas possuem também cargos de liderança.

“Nunca me imaginei fazendo isso. Era algo distante. Sempre achei a área interessante, mas não tinha referências. Nas salas de aula dos cursos de capacitação, vemos uma ou duas mulheres, enquanto tem mais de 20 homens”, contou operadora mantenedora Maria Eduarda, de 24 anos.

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Seis mulheres são as responsáveis por realizar a manutenção da estrutura do parque eólico – analisar, identificar e corrigir falhas nos equipamentos. Juntas, elas foram o principal setor do complexo.

A estrutura do parque Cajuína pode chegar a 1,6 gigawatts. Para isso, é preciso que a energia passe pela substação – onde elas atuam diretamente – antes de ser distribuída.

“Não foi fácil, nunca foi. Já trabalhei em outros lugares e sei do que estou falando. É difícil você chegar em um ambiente de trabalho que só tem homens praticamente. Para garantir meu espaço em uma outra empresa, precisei trabalhar nos fins de semana. Não queria deixar passar nada. Quis e consegui deixar claro que eu era capaz”, lembrou a também operadora mantenedora Paloma Souza, de 23 anos.

O fato de apenas mulheres trabalharem no parque eólico Cajuína foi fator importante, segundo Paloma, para se sentir bem no novo ambiente de trabalho.

Além do trabalho feito na subestação, três funcionárias são as únicas responsáveis do parque por acompanhar o trabalho de manutenção nos próprios aerogeradores. A quantidade deve aumentar depois que a garantia de 5 anos da emprensa construtora chegar ao fim.

A também operadora mantenedora Maria de Nazaré, de 27 anos, lembrou que para se consolidar na profissão também foi preciso vencer a desconfiança dos homens.

“Já ouvi relato de meninos falando que eu não teria condições de levantar um galão de óleo, que pesa 25 quilos, para manutenção. Consegui e mostrei pra eles e pra mim que eu posso”, lembrou.

“Muitos rapazes falam: ‘não te dou um mês pra você desistir’. Não desisti. Estudei e estou aqui. Faço a diferença. Busco meu crescimento para que outras pessoas também possam chegar onde estou”.

Fonte: g1 RN