‘Não existe o Brasil sem o Nordeste’: influenciador potiguar viraliza ao valorizar a cultura nordestina e quebrar estereótipos

O influenciador potiguar Paulo Victor Freitas, de 34 anos, tem conquistado o público nas redes sociais ao brincar, com bom humor, com hábitos e costumes nordestinos.

Ele também usa as plataformas digitais para lutar contra o estereótipo regional e valorizar a cultura.

Até esta quarta-feira (8), Paulo Victor tinha cerca de 500 mil seguidores em apenas uma rede social.

Ele viralizou, em um primeiro momento, com a publicação de um vídeo no qual ensinava “as cinco posições de descanso do nordestino”.

O natalense Paulo Victor é publicitário de formação e teve o primeiro contato com gravações em vídeo ainda criança, quando um tio esqueceu na casa dele uma câmera de fita cassete.

O influenciador potiguar Paulo Victor Freitas, de 34 anos, tem conquistado o público nas redes sociais ao brincar, com bom humor, com alguns hábitos e costumes nordestinos. Ele também usa as plataformas digitais para lutar contra o estereótipo regional e valorizar a cultura local.

“Não existe o Brasil sem o Nordeste. Se você tirar o Nordeste da história, não existe isso que a gente conhece hoje de Brasil”, diz. Nesta quarta-feira (8) é comemorado o Dia do Nordestino.

Até esta quarta-feira (8), Paulo Victor tinha cerca de 500 mil seguidores apenas no Instagram. Ele viralizou, em um primeiro momento, com a publicação de um vídeo no qual ensinava “as cinco posições de descanso do nordestino”.

O vídeo rendeu 17 milhões de visualizações apenas ao influenciador – além de ter sido replicado em outras páginas nas redes sociais.

“Esse vídeo bombou, deu 17 milhões de visualizações. Eu ganhei 100 mil seguidores nesse vídeo e, desde então, foi uma loucura. Realmente deu ânimo para focar nisso”, contou.

O natalense Paulo Victor é publicitário de formação e teve o primeiro contato com gravações em vídeo ainda criança, quando um tio esqueceu, na casa dele, uma câmera de fita cassete.

“Foi a primeira vez na minha vida que eu gravei um vídeo e, desde esse momento – acho que eu tinha ali meus 6, 7 anos de idade -, eu sempre tive essa coisa. Então, sempre que eu via uma câmera, eu ficava curioso”, contou.

Naquele momento, ele e o irmão, curiosamente, se gravaram em um filme com a temática nordestina, contando a vida de “Seu Vicente” e “Seu Antônio”, em uma história baseada numa apresentação do humorista Espanta Jesus.

“Desde pequeno eu sempre tive essa coisa, porque eu sempre tive muito esse contato na minha família, que vem toda do interior: Jardim do Seridó, Portalegre. Meu irmão nasceu em Parelhas, no meio de uma festa”, contou.

O contato com o vídeo permaneceu. No entanto, as primeiras produções de Paulo Victor feitas para a internet eram distante da temática nordestina: ele se tornou atleta de parkour e, dali, saíram os vídeos que iniciaram a carreira dele no mundo virtual.

A ideia de Paulo Victor, no entanto, não é usar apenas o espaço para compartilhar vídeos de humor. Ele tem aproveitado as redes e o alcance que conquistou para compartilhar opiniões e tentar lutar ainda contra o estereótipo regional.

O motivo, segundo ele, é mostrar que há vários Nordestes e nordestinos. Ele conta, por exemplo, que as pessoas não o associavam a uma pessoa da região, como se existisse apenas uma “forma” de ser nordestino.

“Eu sou justamente aquela pessoa que cresci ouvindo: ‘Ah, mas você não parece nordestino’, ‘ah, mas seu sotaque não é tão forte, não parece tão nordestino…seu cabelo, sua cara, seu rosto, suas tatuagens, o jeito que você se veste'”, contou.

“Por muito tempo eu fiquei pensando: ‘Eu amo o Nordeste, eu sei muita coisa, eu me conecto muito com a cultura, com a identidade cultural, mas eu não me sentia no papel de representar o Nordeste justamente porque as pessoas sempre olhavam para mim e falavam: ‘Ah, você não parece nordestino”.

No início, os conteúdos da página não traziam a temática do Nordeste, algo que começou em meados do ano passado. Ele cita, portanto, que precisou também se desconstruir para poder dar início a esses vídeos.

“Então eu pensei: ‘Eu acho que seria interessante eu usar isso justamente para trazer o Nordeste como ele é, na sua diversidade’. Porque existe o Nordeste mais tradicional, mas existe um Nordeste que é para o mundo, assim como o mundo é para o Nordeste. Então, foi meio que um processo de desconstrução até eu chegar nisso”, finalizou.

As postagens do influenciador digital costumam receber comentários de muitas pessoas, principalmente nordestinas, que se identificam com os costumes ali representados.

O influenciador citou ainda que se sente gratificado ao perceber a sensação de pertencimento nas publicações e que esse e outros movimentos semelhantes ajudam a fortalecer uma consciência cultural, social e econômica na região.

“Eu vejo uma ascensão do próprio Nordeste e tudo se inicia a partir do olhar que temos sobre ele, que é um olhar não construído pelas pessoas de fora, agora sendo construído pelas pessoas de dentro, nos olhares do Brasil. Então é muito bom. E a internet dá esse poder da gente contar a nossa história como é”, falou.

Por outro lado, o influenciador também precisa lidar com comentários xenofóbicos.

“Eu sinto, sim, um pouco de raiva, mas, acima de tudo, eu sinto um pouco de pena, porque você desprezar o Nordeste e você deturpar a visão sobre o Nordeste e fazer questão de trazer desinformação e depredar a imagem do Nordeste é você fazer isso com a sua própria história”, refletiu.

“Então, eu sinto uma certa pena, porque o que você faz com Nordeste, você faz com a sua própria história”, completou.

Fonte: g1 RN