Moradores de comunidade rural nas proximidades da Penitenciária Federal de Mossoró relatam rotina de medo após fuga

Moradores da zona rural de Mossoró relatam o medo desde que dois presos conseguiram escapar da penitenciária federal localizada no município da região Oeste do Rio Grande do Norte, na madrugada da última quarta-feira (14). Essa foi a primeira fuga da história no sistema penitenciário federal.

Em Serra Mossoró, moradores relataram que viram uma movimentação suspeita na noite de quinta-feira (15), o que aumentou a tensão. A polícia fez buscas na região, ao longo da manhã desta sexta (16).

De acordo com o relato da moradora, desde que a fuga foi noticiada, ela tem medo pelo marido, que sai de casa cedo, de bicicleta, para ir trabalhar em uma granja. O homem também fica preocupado pela esposa. “Pelo menos estou guardada dentro de casa. À noite tem mais insegurança ainda. Os cachorros latiram até altas horas da noite”, disse.

O agricultor Sebastião Apolonio dos Santos, de 48 anos, também disse que toda a família está com medo. O produtor rural ainda relatou que a esposa, o sogro e a sogra viram a movimentação suspeita de duas pessoas não reconhecidas pelos moradores da região.

“Vinham descendo a serra, passaram pela vizinhança e avisaram a nós. A gente apagou as luzes. Viram a passagem de duas pessoas. Não sabem dizer se eram os presos. Não dá para saber se era ou não”, relatou.

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“Um negócio desse num presídio federal, que é de segurança máxima, não pode acontecer. Nós estamos todos com medo aqui na região da Serra Mossoró, Riachinho, Rancho”, pontuou.

Outro morador da comunidade, o motorista José Roberto da Silva, de 63 anos, disse que viu a movimentação de dois homens perto de casa, entre 19h30 e 20h de quinta-feira (16).

“A população aqui, a região está toda assustada. Quando dá 18h já fecha as portas e não pode nem ver o cachorro latir que fica todo mundo com medo. Está todo mundo assustado. Estamos torcendo que os policiais prendam esses marginais”, declarou.

Roupas e pegadas foram encontradas por policiais na zona rural de Mossoró, na madrugada desta sexta-feira (16). O dono de uma casa arrombada na noite de quarta-feira (14) identificou uma colcha de cama encontrada como sendo dele.

Porta arrombada, geladeira aberta, falta de camisas e de um par de tênis. Foi esse o cenário encontrado pelo morador de uma casa arrombada há aproximadamente 7 km do presídio federal de Mossoró na noite de quarta-feira (14), horas após a fuga de dois presos da unidade de segurança máxima.

A polícia não confirma se o crime foi praticado pelos foragidos Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, que escaparam do presídio na madrugada de quarta-feira (14), mas equipes foram ao local, na comunidade Rancho da Caça, para apurar as circunstâncias do arrombamento. Mais de 300 agentes trabalham nas buscas.

As buscas pelos dois fugitivos da Penitenciária Federal de Mossoró (RN) entraram no terceiro dia nesta sexta-feira (16). Ao todo, mais de 300 agentes de segurança trabalham desde a quarta-feira (14) para recapturá-los.

Estão empenhados:

O jornalista da TV Globo, César Tralli, apurou que na manhã desta sexta-feira (16) um avião da Polícia Federal sairU de Brasília para Mossoró com equipes de operações especiais da própria PF e da Polícia Rodoviária Federal.

Foram enviados:

Em entrevista concedida na tarde desta quinta-feira (15), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse que acredita que os fugitivos permanecem próximos ao presídio após a fuga, num perímetro de até 15 km até o centro da cidade de Mossoró.

Lewandowski também citou que não houve nenhum registro de furto ou roubo de carros na região, o que reforça a hipótese de que fugitivos se mantiveram nas proximidades.

Outras medidas também foram tomadas pelo Ministério da Justiça para evitar que os fugitivos consigam escapar do cerco policial. Entre elas, estão:

“Acreditamos que os dois fugitivos serão recapturados num período muito breve”, disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

A pasta também informou que solicitou abertura de processo administrativo para apurar as responsabilidades da fuga e de um inquérito policial para investigação de alguma eventual responsabilidade criminal, como uma possível facilitação da fuga.

Na entrevista, Lewandowski listou alguns fatores que podem ter contribuído para a fuga dos dois presos: eles fugiram por falhas no teto, passaram por tubulações e utilizaram ferramentas da construção que está sendo feita na unidade, incluindo um alicate para cortar as grades da penitenciária.

O ministro relatou que havia uma reforma sendo executada no presídio e que as ferramentas não foram armazenadas de forma correta, o que as deixou mais disponíveis aos presos.

Além disso, o ministro confirmou que algumas câmeras de segurança não estavam funcionando no momento da fuga e ainda acrescentou que luzes do presídio também estavam desligadas.

O Secretário Nacional de Políticas Penais (Senappen), André de Albuquerque Garcia, foi enviado para Mossoró, onde passou a trabalhar em uma sala de situação – ao lado de representantes de outros órgãos – na Delegacia da Polícia Federal em Mossoró. Nesta quinta (15), ele afirmou que as buscas seguem ativas por 24 horas e que a recaptura é prioridade.

Pela primeira vez no Brasil, um presídio de segurança máxima do sistema penitenciário federal registrou uma fuga.

O sistema foi criado em 2006 e conta com cinco presídios de segurança máxima. O presídio de Mossoró foi o terceiro a ser inaugurado pela União, em 2009.

Os dois presos são do Acre e estavam na Penitenciária de Mossoró desde 27 de setembro de 2023. Eles foram transferidos após participarem de uma rebelião no presídio de segurança máxima Antônio Amaro, em Rio Branco, que resultou na morte de cinco detentos – três deles decapitados.

Os dois homens são ligados ao Comando Vermelho, facção de Fernandinho Beira-Mar, que também está preso na unidade federal de Mossoró.

Rogério da Silva Mendonça roubou uma moto em 18 de fevereiro de 2021 no Acre. No dia 22 do mesmo mês, assaltou um motorista de aplicativo. Três dias depois, foi preso em flagrante com uma arma de fogo após investigações e foi levado ao Presídio Evaristo de Moraes, em Sena Madureira (AC). A polícia pediu a prisão preventiva dele após esses crimes.

Já preso, acionou comparsas e mandou matar o adolescente Taylon Silva dos Santos, de 16 anos, em abril de 2021. Após o crime, Rogério foi transferido para o Presídio Antônio Amaro Alves, na capital, para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), onde ficou desde então, até ter sido transferido ao Rio Grande do Norte.

Rogério responde a mais de 50 processos. Ele é condenado a 74 anos de prisão, somadas as penas, de acordo com o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC).

Deibson Cabral Nascimento tem o nome ligado a mais de 30 processos e responde por crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e roubo. Ele tem 81 anos de prisão em condenações.

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Fonte: g1 RN