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Leia exemplo de redação nota mil do Enem 2021 de candidata da Paraíba

Os espelhos da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 foram disponibilizados para consulta pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Na Paraíba, apenas a estudante Maitê Maria, de João Pessoa, conseguiu tirar mil, nota máxima na redação. A média geral da estudante ultrapassou os 800 pontos.

A consulta ao espelho da redação pode ser feita na página do participante do Enem, bastando realizar o login, com os dados do participante, para baixar um arquivo que mostra uma versão digitalizada, como se fosse uma foto, do texto entregue pelos alunos.

Apenas 22 participantes no país tiraram nota mil, de acordo com o Inep. Ao todo, 2.267.350 pessoas participaram da edição nas três versões do Enem 2021. Os temas propostos foram:

  • Aplicação regular e digital: “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”
  • Reaplicação, PPL e isentos em 2020: “Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil”

A estudante Maitê Maria disponibilizou ao g1 o espelho da redação que obteve nota máxima no Enem da última edição. Ela foi aprovada no curso de medicina na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) após quatro tentativas.

Abaixo, leia a redação da candidata paraibana que obteve a nota máxima:

Maitê Maria, 20 anos – João Pessoa (PB)

No célebre texto “As Cidadanias Mutiladas”, o geógrafo brasileiro Milton Santos afirma que a democracia só é efetiva à medida que atinge a totalidade do corpo social, isto é, quando os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. Todavia, no contexto hodierno, a invisibilidade intrínseca à falta de documentação pessoal distancia os brasileiros dos direitos constitucionalmente garantidos. Nesse cenário, a garantia de acesso à cidadania no Brasil tem como estorvos a burocratização do processo de retirada do registro civil, bem como a indiferença da sociedade diante dessa problemática.

Nessa perspectiva, é importante analisar que as dificuldades relativas à retirada de documentos pessoais comprometem o acesso à cidadania no Brasil. Nesse sentido, ainda que a gratuidade do registro de nascimento seja assegurada pela lei de número 9.534 da Carta Magna, os problemas associados à documentação civil ultrapassam a esfera financeira, haja vista que a demanda por registros civis é incompatível com a disponibilidade de vagas ofertadas pelos órgãos responsáveis, o que torna o processo lento e burocrático. Sob tal óptica, a realidade brasileira pode ser sintetizada pelo pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual afirma que a “violência simbólica” se expressa quando uma determinada parcela da população não usufrui dos mesmos direitos, fato semelhante à falta de acesso à cidadania relacionada aos imbróglios da retirada de documentos de identificação no País.

Outrossim, é válido destacar a ausência de engajamento social como fator que corrobora a invisibilidade intrínseca à falta de documentação. Fica claro, pois, que a indiferença da sociedade diante da importância de assegurar o acesso aos registros civis para todos os indivíduos silencia a temática na conjuntura social, o que compromete a cidadania de muitos brasileiros, haja vista que a posse de documentos pessoais se faz obrigatória para acessar os benefícios sociais oferecidos pelo Estado. Sob esse viés, é lícito referenciar o pensamento do professor israelense Yuval Harari, o qual, na obra “21 Lições para o Século XXI”, afirma que grande parte dos indivíduos não é capaz de perceber os reais problemas do mundo, o que favorece a adoção de uma postura passiva e apática.

Torna-se imperativo, portanto, que cabe ao Ministério da Cidadania, como importante autoridade na garantia dos direitos dos cidadãos brasileiros, facilitar o processo de retirada de documentos pessoais no Brasil. Tal medida deve ser realizada a partir do aumento de vagas ofertadas diariamente nos principais centros responsáveis pelos registros civis, além do estabelecimento de um maior número de funcionários, a fim de tornar o procedimento mais dinâmico e acessível, bem como garantir o acesso à cidadania aos brasileiros. Ademais, fica a cargo do Ministério das Comunicações estimular o engajamento social por meio de propagandas televisivas e nas redes sociais, com o fito de dar visibilidade à temática e assim assegurar os direitos cidadãos.

G1

Postado em 8 de abril de 2022 - 12:36h