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Influenza avança à sombra do coronavírus: falta remédio e há filas para vacina, diz jornal

O jornal O Globo relata a grande preocupação com o Influenza, uma vez que está confundindo pacientes e até profissionais em saúde. Entenda!

RIO – No sábado à noite, Miguel, 3 anos, caiu de cama com 39 graus de febre. Mesmo medicado, nada fazia a temperatura baixar. Em meio à pandemia do coronavírus, a família foi, no meio da madrugada, para o hospital. A médica despachou todos de volta.

“Em circunstâncias normais esperamos três dias de febre, mas nesse momento, pensando que era coronavírus, entramos em desespero. A gente queria testar, mas a médica olhou para a gente como se fossemos idiotas. Na segunda-feira, meu marido caiu doente: ficou completamente prostrado, com dor, sem conseguir ficar de pé e foi para a emergência. Testou e deu positivo para influenza A. Aí começamos a correr atrás do Tamiflu, mas é impressionante, o remédio sumiu”, conta Ticiana Ayala, mãe de Miguel e de Thomas, de um ano e meio.  

Até o final da semana, a família tinha ido quatro vezes ao hospital, e todos estavam doentes: o pai, a mãe, os dois filhos, a babá, a empregada e uma avó. A tal ‘gripinha’ impressionou: 

— É muito pesada. Eu tive muita dor de cabeça e dor no corpo, mais do que qualquer gripe que já peguei. Tive que tomar remédio também. 

Enquanto o país se preocupa com o novo coronavírus, uma outra doença, já velha conhecida, avança em paralelo. O vírus influenza, da gripe, também oferece riscos e o combate a ele foi ofuscado pela nova Covid-19: o principal tratamento sumiu das farmácias e a disputa pela vacina está enorme. 

O Ministério da Saúde contabilizou 90 casos de influenza A e seis óbitos até o dia 29 de fevereiro, mas o número está muito defasado: só no Rio de Janeiro, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, foram 121 casos até a primeira semana de março.  

— Estamos em época. A gripe e a Covid-19 são duas doenças que podem concorrer e causar síndrome respiratória aguda grave. Além disso, quando uma pessoa adoece, fica mais vulnerável para pegar outra doença — afirma Tânia Vergara, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia do estado do Rio de Janeiro.  

Segundo o Ministério da Saúde, em 2019, foram registrados 3.430 casos de infecção e 796 mortes em decorrência da infecção só por H1N1, uma das cepas do vírua influenza A. Conforme diretriz do ministério, somente casos de gripe grave, caracterizados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), independentemente do tipo, são de notificação obrigatória no Brasil. Em 2019, foram registrados 1,6 mil casos de SRAG atribuíveis ao vírus Influenza em SP, e 284 óbitos.

Jair Sampaio

Postado em 18 de março de 2020 - 18:50h